quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Claro

Ele caminhava, não só os pés estavam descalços como sua mente estava descoberta de qualquer sensação. Debilmente, a luz se esgotava, como acontece todo os dias. E como tudo que acontece todos os dias, ele não o percebeu. O esgotar da luz natural era inversamente proporcional a sua capacidade de sonhar e apesar da ausência de estímulos externos, a perspectiva sobre um mundo imaginário se lançava num horizonte. Um horizonte que só ele conhecia, que aparecia ao fechar dos olhos. E mesmo a areia grossa e pequenas pedras, nem estas poderiam lhe atrapalhar o sono nômade. Naquele estado de semi-transe, não existiam reis nem rainhas, nem mundos fantásticos. O mundo sonhando pelo jovem, iluminado na face por uma luz não-natural, é um mundo como o nosso. Entretanto, em algum momento no tempo, se baniu a palavra INDIFERENÇA. Assim, mesmo sendo aqui e agora, o mundo do desnorteado é totalmente distinto. Independente do caminho que o jovem sonhador trilhar, ele sabe a onde ele irá chegar: jamais, no mundo perfeito, que está dentro dele, porém tão distante. Perto mesmo está o chão, dolorindo seu pés, menos que pessoas magoam seu coração.

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